Instituto Dara é reconhecido como um dos programas de saúde mais influentes do mundo

Apontado como um dos quatro trabalhos mais inovadores no combate à desigualdade na área de saúde, o Instituto Dara foi reconhecido pela revista americana Scientific American como um dos programas de saúde mais influentes do mundo.

Temos a alegria de compartilhar abaixo a tradução livre da matéria publicada na edição de junho e o link para o texto original.

Boa leitura!

Personalidades que estão tornando os cuidados de saúde mais justos

Quatro inovadores encontram novas soluções para o problema da injustiça

Por Julia Hotz, publicado pela Scientific American em 1º de junho de 2022

O mundo nunca teve uma medicina melhor, médicos mais experientes ou dados mais fortes sobre doenças. Mas esses benefícios não são igualmente compartilhados. Para dar um exemplo notável: dois anos de dados coletados pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (dos EUA) mostram que negros, hispânicos e nativos americanos são significativamente mais propensos a serem hospitalizados e morrerem de COVID do que brancos naquele país.

A desigualdade em saúde vai desde a falta de acesso a cuidados adequados e a incapacidade de abordar os fatores sociais que influenciam a saúde, até às condições perigosas que as pessoas em alguns bairros enfrentam. Alcançar a equidade requer campanhas em todas essas frentes. Esses quatro campeões da área de saúde – um epidemiologista de coleta de dados, uma parteira ativista, uma médica que trocou o trabalho clínico pelo ativismo comunitário e um empresário de rastreamento de poluição – incorporam esse esforço. 

(…)

TRATANDO A DESIGUALDADE COMO DOENÇA

Vera Cordeiro fundou um dos programas de saúde mais influentes do mundo, mas quando criança nunca quis chegar perto da medicina. Adorava arte e literatura, passava seus dias escrevendo poesia em sua casa na árvore e refletindo sobre como ela, nascida em uma família rica perto do Rio de Janeiro, experimentava a vida de forma diferente de seus vizinhos – muitos deles doentes e pobres.

Por pressão da família, Vera foi para a faculdade de medicina, onde conheceu um professor igualmente interessado nas pessoas. Se alguém morresse de ataque cardíaco, esse professor encorajava seus alunos a considerar as circunstâncias, como o casamento ou o trabalho do paciente, afetavam sua doença. Em 1988, enquanto trabalhava na ala pediátrica do Hospital da Lagoa, no Rio, Vera viu por si mesma como se entrelaçam a vida e a medicina.

“Tratávamos uma criança com pneumonia, mas depois a mandávamos de volta para uma casa onde ela não podia comer bem ou onde seu pai estava desempregado, e então ela voltava com uma infecção diferente”, diz Vera. Outros médicos enfrentavam as mesmas frustrações; assim, ela começou a fazer perguntas não médicas a seus pacientes, como por exemplo, se eles tinham comida, água potável ou emprego, e chamou outros profissionais médicos e amigos para ajudá-los.

Em 1991, ela transformou essa prática informal em uma organização formal ao fundar, no hospital, a Associação Saúde Criança Renascer. Por meio da associação, os médicos passaram a poder rastrear pobreza, desemprego, problemas de moradia e outras causas de doenças. E voluntários vieram suprir essas necessidades com dinheiro, alimentos e outros recursos. As equipes, por sua vez, passaram a auxiliar os pais a desenvolverem Planos de Ação Familiares, estabelecendo metas de longo prazo em torno de questões como acesso a alimentos nutritivos e treinamento para a obtenção de um emprego estável.

“O Saúde Criança é pioneiro na concepção e entrega de programas abrangentes de combate à pobreza”, diz James Habyarimana, da Universidade de Georgetown, professor de políticas públicas especializado em resultados de saúde. Ele elogia a organização por reconhecer de que forma uma dimensão da pobreza, como a renda, afeta as demais dimensões, como a moradia, que, juntas, determinam a saúde de uma criança. 

As crianças que inscritas no programa se tornaram significativamente menos propensas a precisar de cirurgia ou tratamento clínico, de acordo com o estudo de 2013 conduzido por Habyarimana. Se hospitalizadas, suas internações tornavam-se 86% mais curtas do que as de outras crianças. No início do programa, 56% das famílias identificavam seu nível de bem-estar como ruim ou muito ruim, mas, no final, 51% relatavam que era bom ou muito bom.

Esse sucesso explica por que a organização, agora chamada de Instituto Dara, cresceu rapidamente. Já foram atendidas pelo Instituto 75.000 pessoas em todo o Brasil e cerca de 20 programas na África, Ásia e América Latina se inspiraram nesse trabalho, que chegou até a Baltimore. Desde 2017, a Universidade de Maryland adapta os métodos de Dara ao seu contexto local.

Agora com 71 anos, Vera Cordeiro preside o Conselho do Instituto Dara e ainda luta pela pessoa por trás da doença. Ela mostra fotos de antes e depois das casas dos pacientes – banheiros outrora em ruínas e portas outrora rachadas agora reformadas, permitindo que as famílias vivam com mais dignidade em suas casas – e diz que suas histórias a mantêm viva: “As pessoas movem meu coração”.

Para ler a matéria original, clique aqui.

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