

Essa semana o Dara estreou no Rio Innovation Week, ou como muito bem disse o mestre Luiz Antonio Simas, na Semana de Inovação do Rio de Janeiro!
Fomos convidados a estar no palco do Instituto da Criança, espaço esse que só foi possível porque o RIW tem a responsabilidade social como um valor genuíno da sua cultura, abrindo espaço para organizações da sociedade civil ampliarem suas vozes e compartilharem impacto.
O painel que participamos tinha como tema “O futuro do ESG é colaborativo: inovação, tecnologia social e transformação coletiva” e quando falamos em inovação, normalmente pensamos em inteligência artificial, plataformas digitais e novas tecnologias. Mas inovar também significa criar formas mais eficazes de enfrentar problemas sociais antigos e complexos.
É nesse campo que atua a tecnologia social: metodologias desenvolvidas a partir da realidade dos territórios, estruturadas com conhecimento, participação e evidências, e capazes de gerar soluções que podem ser adaptadas e ampliadas.
No Instituto Dara, aprendemos ao longo de 35 anos que problemas sociais complexos não podem ser enfrentados de forma fragmentada. Uma mesma família pode enfrentar, ao mesmo tempo, insegurança alimentar, problemas de saúde, baixa renda, dificuldades escolares, moradia inadequada e falta de acesso a direitos. Essas dimensões estão conectadas. Por isso, respostas fragmentadas podem aliviar uma necessidade imediata, mas dificilmente provocam mudanças sistêmicas.
A partir dessa compreensão, o Instituto Dara desenvolveu o Método Dara, uma metodologia que integra saúde, educação, moradia, renda e cidadania. Cada família participa da construção de seu próprio plano, considerando suas prioridades, potencialidades e as barreiras que enfrenta. Esse processo combina atendimento direto, acompanhamento, definição de metas e avaliação de resultados. Tudo isso medido por um robusto sistema que reúne informações, dados, métricas e inteligência para que a gente possa acompanhar o desenvolvimento dessas famílias.
E todo esse conhecimento pode contribuir para melhorar políticas públicas, orientar investimentos sociais e qualificar a atuação de empresas, governos e organizações da sociedade civil. É nesse ponto que a colaboração se torna essencial. As organizações sociais conhecem os territórios e desenvolvem soluções próximas da realidade das comunidades. As empresas podem contribuir com recursos, competências, tecnologia e capacidade de mobilização. O poder público tem escala, capilaridade e a responsabilidade de garantir direitos.
Nenhum desses atores, sozinho, consegue enfrentar desafios tão complexos.
É por isso que nós reforçamos a ideia de que o futuro do ESG depende menos de ações isoladas e mais da capacidade de construir estratégias compartilhadas, com clareza de papéis, produção de evidências e compromisso com resultados de longo prazo.
Também precisamos repensar o que significa escala. Ampliar uma tecnologia social não é simplesmente reproduzir um projeto da mesma forma em diferentes lugares. É compartilhar princípios, ferramentas e aprendizados, respeitando as características de cada território.
Uma inovação social alcança seu maior potencial quando deixa de ser apenas uma experiência localizada e passa a influenciar políticas, fortalecer redes e transformar a forma como diferentes instituições enfrentam um problema.
Mais do que ampliar projetos, precisamos ampliar soluções.
E mais do que buscar impacto de forma individual, precisamos transformar o impacto social em conhecimento compartilhado, políticas mais efetivas e capacidade coletiva de mudança.
O nosso agradecimento ao Instituto da Criança e aos parceiros deste painel tão rico Alexandre Sattos da Ancar e Maíra Pimentel da Fundação Darcy Vargas – Casa do Pequeno Jornaleiro e Michel Sednaoui da Liberdade Solar.
Por Sabrina Porcher – Diretora-executiva do Instituto Dara