

Todos os anos, o Setembro Amarelo, mês nacional de prevenção ao suicídio, ganha um novo mote, definido pelo CVV (Centro de Valorização da Vida). Em 2026, a frase escolhida é curta, mas carrega um convite grande: “Escutar é estar presente.”
Neste artigo, explicamos o que esse tema significa na prática e por que ele é especialmente relevante agora.
O que é o Setembro Amarelo
O Setembro Amarelo é o movimento brasileiro criado para ampliar o alcance do 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Ao longo do mês, organizações, empresas e pessoas se mobilizam para falar sobre um tema historicamente cercado de silêncio: o sofrimento emocional e a prevenção do suicídio. À frente da campanha está o CVV, uma das ONGs mais antigas do país, que desde 1962 oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, além de chat e e-mail.
O tema de 2026, segundo o CVV
Para esta edição, o CVV escolheu reforçar um gesto simples e, ao mesmo tempo, cada vez mais raro: escutar. A ideia central é que, muitas vezes, quem atravessa um momento difícil precisa apenas de alguém disposto a ouvir com atenção, sem pressa e sem julgamento. É esse o significado por trás de “estar presente”: não basta estar por perto fisicamente, é preciso estar disponível de verdade.
Escutar não é resolver: a diferença que muda tudo
Quando alguém compartilha uma dor, o reflexo mais comum é tentar ajudar oferecendo uma saída: um conselho, uma comparação, uma frase de incentivo. A intenção é boa, mas o efeito nem sempre é o esperado. Às vezes, a pessoa só queria ser ouvida, não corrigida.
Escutar sem tentar resolver significa dar espaço para que o outro coloque em palavras o que sente, sem a pressão de chegar a uma conclusão ou de “sair melhor” daquela conversa. É reconhecer que presença, muitas vezes, já é suficiente.
Como praticar a escuta ativa
Transformar essa ideia em hábito exige apenas intenção. Alguns gestos ajudam a colocar isso em prática:
- Dê atenção plena. Guarde o celular e olhe para a pessoa enquanto ela fala.
- Não interrompa. Deixe o raciocínio e o sentimento se completarem antes de responder.
- Valide o que ela sente, mesmo que você não entenda completamente ou não concorde.
- Pergunte e espere. “Como você está?” só funciona como escuta se vier seguido de silêncio, o silêncio de quem realmente quer ouvir a resposta.
O que evitar ao tentar acolher alguém
Algumas frases, mesmo ditas com boa intenção, podem fazer o efeito contrário e transformar a escuta em julgamento:
- “Podia ser pior.”
- “Isso vai passar, não é nada.”
- Comparar a dor da pessoa com a sua própria experiência.
- Interromper para oferecer um conselho não pedido.
Acolher é diferente de minimizar. O papel de quem escuta não é aliviar a dor na hora, mas mostrar que ninguém precisa carregá-la sozinho.
Por que isso importa agora
Vivemos em um contexto de rotina acelerada, relações cada vez mais mediadas por telas e pouca disponibilidade real para ouvir alguém até o fim. Ao mesmo tempo, muitas pessoas convivem com solidão e angústia sem encontrar um espaço seguro para falar sobre o que sentem. É justamente nesse cenário que o tema de 2026 ganha força: reforçar que presença, através da escuta, pode ser o primeiro passo para que alguém em sofrimento emocional não enfrente esse momento sozinho.
O papel do Instituto Dara nessa conversa
No Instituto Dara, a escuta é parte do trabalho diário: é a partir dela que construímos, ao lado de cada família atendida, o Método Dara, que considera saúde, moradia, geração de renda, educação, cidadania e também o cuidado psicológico. Entendemos que nenhuma transformação social acontece sem antes haver espaço para ouvir.
Por isso, todos os anos, também nos somamos à conversa do Setembro Amarelo.
Onde buscar ajuda
Se você ou alguém que você conhece está passando por um momento difícil, o CVV oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, por telefone, chat e e-mail:
CVV — 188 · cvv.org.br